sexta-feira, 1 de maio de 2009

Lição de Casa Escolar

Ah, o Verão... A ensolarada estação, em que tudo parece mais amarelado e azulado, os humores se renovam, o mundo está no ápice da felicidade e da boa vida.
Uma pena que não estamos no verão. In fact, se você morar no Hemisfério Sul, como o autor que lhes escreve, deveria saber que o verão acabou há mais de 30 dias. O que significa que teremos 8 longos meses até tornar a ver essa tão querida estação. Enquanto isto, contentemo-nos com o outono, a feliz estação das folhas que caem. Até porque já já piora, com a vinda do inverno. Sim, porque uma hora ele vem. A não ser, claro, que uma guerra nuclear entre as potências ocidentais e a Coreia do Norte desloque a Terra do seu eixo de órbita graças às explosões de enormes ogivas nucleares, e tudo dê muito errado no clima.
Mas ainda assim! Se isso acontecer, não precisaremos mais nos preocupar com o aquecimento global! Estaremos muito ocupados sendo desintegrados por raios subatômicos dilacerando nossos corpos. ^^

Enquanto um hecatombe nuclear não dizima a feliz sociedade humana, continuemos nossos planos de seguir vivendo. E, para mim, isso significa publicar algo no meu querido blog. E pra vocês, tomara que isso signifique ler o texto. Ou, pelo menos, fingir que lê. :B

LIÇÃO DE CASA ESCOLAR
Das Injustiças Cometidas com a Pirralhada

Ser criança não é fácil, colegas. Claro que, comparada à vida medíocre que você leva hoje, como adolescente/jovem/adulto, a vida de uma criança é tão moleza quanto sentar no pudim com as nádegas nuas (por favor, não imaginem isso; é uma visão medonha). Mas a gente já sentia as injustiças da vida pesarem sobre nossos jovens ombros, mesmo na época em que não éramos nada mais do que remelentas versões de miniterroristas afegães. Aparentemente, a vida não escolhe idade nem sexo, e costuma ser uma boa biscate para todo mundo, sem preconceito. Sim, vivemos em um mundo sem preconceitos. Yes, we can!

Lembrem-se, por exemplo, da vida escolar. Sim, claro, quando se é criança, a escola é o único programa que existe no seu dia (isso se você não tiver pais ricos e que desejem que você faça balé, natação, piano, futebol, inglês, espanhol, artes...). E como era a monopolista do nosso dia-a-dia, a escola tinha o direito (e o dever) de ser filha-da-puta com os alunos, a fim de representar a filha-da-putice geral que é a vida.
Muitos de nós (eu incluso) estudávamos cedo. O que significa dormir cedo para acordar impiedosamente cedo no dia seguinte. Nem seis da manhã eram, e seus pais terminavam com suas horas de sono para enfiar você no carro - e, às vezes, nem isso, enfiavam em um ônibus escolar, ou no ônibus da prefeitura, mesmo, se você for suficientemente pobre - para que você fosse para um lugar amplo, frio, desaconchegante e muito, mas muito chato. Ah, sim, tinha os coleguinhas, que tornavam o dia meio melhor. Mas você pode ser azarado o suficiente para ter coleguinhas ainda mais chatos do que a escola (ô azar). Então relevaremos os coleguinhas.
Oh, sim, a vida na escola era chata e injusta. Horas e horas com um cara falando bobagens na frente da lousa, as quais provavelmente nunca usaremos na vida - e, agora que estamos mais longes na nossa breve vida humana, sabemos que estávamos certos - e sendo submetidos à tirania de pessoas alheias. Quando tudo o que queríamos era jogar bola, assistir TV Globinho e dormir mais um pouco.

Oh, sim, escola era um negócio sacana. Uma espécie de vampiro, que chupa nossa juventude. Só que todos os dias, e nossos pais ainda pagam por isso. Passar a manhã (ou a tarde) toda enfurnado em um prédio feio, com professores tiranos em um ambiente maligno. Não pode ser pior, pode? Quer dizer, por mais que você passe 5 horas em uma sala de aula, você tem o resto do dia para se divertir, certo?
Errado.

Voltemos ao tempo. Imaginem três monges irlandeses, mestres de um pequenino mosteiro no sopé de uma simpática montanha, nos idos do século XIII, nos arredores da cidade de Belfast (atual Irlanda do Norte, parte integrante do Reino Unido, caso você seja ignorante em Geografia). Bom, esses três monges, como são monges maus que não gostam de crianças (porque crianças são barulhentas, e ninguém em um mosteiro gosta de barulho), eram muito malignos dando aula aos guris (caso você também seja ignorante em História, monges católicos davam aulas aos meninos de um vilarejo). Mas tudo ficava sem graça para nossos monges irlandeses quando as aulas acabavam porque, oras, os moleques começavam a correr e a bagunçar e a barulhar e essas coisas de moleques, e que irritam a nossos monges velhos e chatos. Qual foi a grande sacada deles? Ocupar os meninos mesmo enquanto eles não estavam em aula! E como isso? Dando tarefas para eles fazer durante o dia! Entupindo a macacadinha de lição de casa!

Desde estes infelizes monges irlandeses, a pobre pirralhada têm problemas com uma das instituições mais cruéis e injustas da nobre humanidade. Eles tinham de lidar com a odiosa lição de casa. Oh, sim, fazer lição de casa era uma grande e generalizada merda.
Quer dizer, éramos privados das diversões puras da vida para ficarmos a manhã toda trancafiados em uma sala, com matérias chatas na lousa e sem poder se divertir. O sol lá fora, um lindo dia, e você aprendendo sobre a geologia do solo brasileiro, sobre a Guerra dos Canudos, sobre a aceleração de um corpo inicialmente em repouso.
E então quando dava o seu horário e você estava liberado para voltar pra casa, em vez da liberdade e da alegria de poder aproveitar o resto do dia brincando com a molecada, jogando uma bolinha, assistindo TV a esmo ou o que o valha, você tinha aquele calhamaço de tarefas para entregar. Vinte e cinco exercícios de matemática, um resumo sobre o capítulo da Revolução Francesa, ler e decorar as fases da mitose. Agora, poxa, pra que isso? Privar a molecada da própria infância? Obrigá-los a passar ainda mais tempo se dedicando à escola, quando eles não estão mais lá? Exigir que eles estudem coisas a mais? Revisar a aula? Pra quê? As escolas não botam fé nas aulas, e precisam que os alunos aprendam sozinhos?

Eu nunca entendi qual é a pegada da lição de casa. E, por isso, sempre fui contrário a ela. Tomava meu tempo, não deixava eu me divertir e, em geral, era um saco. Vai ver que era por isso que eu preferia fazer a lição de casa no meio da aula, mesmo. Pra que fazer em casa, com tanta coisa legal pra se fazer, quando eu posso fazer na escola, que será chata de qualquer maneira? Naturalmente, os professores ficavam revoltados com essa decisão mas, hey, era uma decisão minha, eles deveriam respeitar.
Mas eu dormia tranquilo. Uma hora, eventualmente, eu cresceria, e trabalharia. Sim, claro, com um trabalho efetivo, eu fico bem mais tempo na empresa do que eu ficava na escola. Mas a empresa me paga pelo tempo que fico lá. E uma vez fora da empresa, eu não preciso fazer lição de casa. Posso jogar Guitar Hero a noite toda. Sem me preocupar com listas de exercícios pro chefe ou resumo do capítulo de gerenciamento corporativo.
Pensando bem, por que todo mundo sente saudade da infância? Você tinha que fazer lição de casa quando era criança!! Convenhamos, macacada: é bem mais legal ser adulto.
Yeah, right :P

Ouvindo:
Ant Music
Hyper
We Control (2005)

3 comentários:

orlandojr disse...

nhah...eu resolvia isso nao fazendo a lição e mandando os professores pra lugares-longincuos-e-feios-de-se-pronunciar......o pior é que ainda tenho dever de casa pra fazer...ate hj!
:/

TeXucoO disse...

Eu fazia quando pequena, agora parei de fazer ^^

haushauhsa


bjIm Rafa

Ghosturbo disse...

Quando eu era moleque eu queria ser adulto e agora que sou adulto de jeito nenhum quero deixar de ser. Porra, ser moleque é foda, não pode fazer nada, não pode pensar sozinho. Se você vai ao fliperama (hoje em dia chamados de lanhouses), sua mãe pensa que você tá usando maconha.
Eu sempre detestei tarefa de casa e também fazia elas na escola e fazia tudo errado em casa, já que não importava muito o que estava escrito e sim se tinha alguma coisa escrita, mas convenhamos, é um mal necessário, é o único jeito de você descobrir se você aprendeu mesmo é fazendo sozinho.